• Agência Yuzú

DETOX DIGITAL

Brasileiros gastam, em média, cinco horas conectados




Se você tivesse que escolher entre assistir seu celular caindo no chão sendo completamente destruído em vários pedaços ou ter um de seus dedos da mão quebrado, o que você escolheria?


Essa pergunta faz parte de um estudo do Adam Alter, autor do best-seller Irresistible, que explora as raízes do nosso vício em tecnologia. Segundo o estudo, 100% dos adultos com mais de 30 anos preferiram ver o celular destruído, porém, 46% (quase metade) dos jovens e adolescentes, preferiram ter um dedo quebrado.

Só um detalhe: os adultos não demoraram a responder, a resposta era imediata. Já os jovens, levavam um certo tempo refletindo sobre a situação.

Qual a relevância da tecnologia na sua vida? Vale um dedo quebrado?

Em 2014 a gente recebia em média 63,5 notificações por dia no celular. O que da mais ou menos 15 notificações a cada 15 minutos de tempo acordado. Já parou para pensar se atualizarmos esse dado para 2020?

Os millennials checam o celular aproximadamente 150 vezes por dia. Quer mais? 75% dos jovens entre 18 e 34 anos dizem que não suportam situações de tédio como filas, elevadores ou outro lugar sem "opções", eles tem um senso irresistível de pegar o telefone e abrir um aplicativo.

Acontece com você?

O ser humano anda precisando fazer uma detox digital pra ontem!

E como começar? Antes de começar precisamos entender os “gatilhos” e tentar se afastar um pouco deles. Antonio Abud, médico psiquiatra formado na USP, lista quatro mecanismos psicológicos que a tecnologia usa para fazer com que o usuário não consiga parar de mexer nesses aparelhos:

- Proximidade - Entende-se que quanto mais perto fisicamente uma pessoa ou um objeto está, maior o impacto que essa pessoa ou objeto vai ter em nossa mente. Ou seja, mais aquela pessoa ou objeto vai nos influenciar, maior vai ser a vontade de estar perto. Exemplo: 75% dos adultos, conseguem em todo o momento do dia pegar o celular sem precisar tirar os pés do chão, ou seja, a proximidade física do celular é muito alta. A gente fica colado com o celular no corpo ou sempre ao alcance da mão.

- Stopping Cue -

É um alerta de nosso cérebro pedindo para pausar uma atividade. Nosso cérebro é feito para perceber dicas de qualquer experiência que estiver fazendo para que a gente pare e mude a atividade. Aquele hábito de ler o jornal de domingo, pausar uma matéria para dobrar a página e continuar a leitura. Essa pausa é o que chamam de "stopping cue", que ajuda nosso cérebro a evitar um comportamento impulsivo. Assim como o jornal, o mesmo ocorre com o comercial da TV aberta, que a gente parava para beber uma água, ir ao banheiro etc. E as séries antes do surgimento do streaming? Precisava esperar uma semana para ver um novo capítulo! Estamos perdendo o stopping cue, o que faz a gente ter mais impulsividade, perdendo o controle do freio sobre algumas ações.

- Recompensas inesperadas -

As recompensas inesperadas são o “efeito cassino”. Os jogos no cassino são viciantes justamente por trabalharem esse conceito. Quando realizamos tarefas no dia-a-dia, geralmente sabemos o retorno esperado com aquela tarefa. Agora se tem uma tarefa que a gente realiza e uma hora recebemos muito por isso, outra hora não recebemos nada, ou pouco, passamos a ter um envolvimento maior, causando muitas vezes um efeito viciante. Principalmente, por liberarmos nas recompensas altas dopamina (neurotransmissor do prazer), dessa forma o cérebro fica na expectativa de liberar dopamina nas próximas tarefas. Causando um ciclo de dependência.

-Metas Quantificáveis -

Nosso cérebro é movido para ter alvos, objetivos claros e específicos. Quando a gente recebe recompensas muito quantificáveis, que sejam facilmente comparáveis isso nos motiva muito mais. Pulseiras que contam passos, curtidas em rede sociais, número de inscritos no Youtube, ou seja, metas quantificáveis fazem parte dos mecanismos que a tecnologia usa para nos manter engajado em nossos gadgets.

Esse uso desenfreado do combo celular/internet tem aproximadamente 10 anos e a ciência ainda não teve tempo suficiente para saber exatamente quais são as consequências desse uso ao longo do tempo.


Nomofobia, que vem do termo em inglês no mobile phobia, que é justamente o medo de ficar sem celular.

Se você já entrou em pânico ao notar que a bateria do celular estava prestes a acabar, passou horas correndo de um lugar para o outro apenas para ter sinal de internet ou costuma verificar todas as mensagens recebidas no telefone antes mesmo de levantar da cama, é provável que esteja sofrendo de Nomofobia.

Segundo a Dra. em Neurociência, Claudia Feitosa, Nomofobia, que vem do termo em inglês no mobile phobia, é justamente o medo de ficar sem celular. E esse medo de ficar sem o celular pode levar a um outro comportamento que os japoneses classificaram como Hikikomori, que significa “afastamento social severo”. Mas acredite, você não está sozinho e o nosso país é recordista em tempo de uso médio de celular. Enquanto o tempo médio diário gasto com o uso de celular no mundo é de duas horas e cinquenta e um minutos, no Brasil, são de cinco horas em média por dia.


É fato que tudo em excesso não faz bem, a desintoxicação digital favorece melhores relações com os demais e com nós mesmos. Não estamos dizendo que é preciso ser radical e rejeitar todo tipo de contato com o mundo digital (JAMAIS!) mas precisamos ser responsáveis quanto ao tempo de uso.



Separamos três dicas relacionadas ao tema. Esse é o nosso Bônus Track News =)

Em Mundo Tela, 4ª faixa do álbum Transmutação, lançado em 2015.

BNegão expõe em sua letra uma excelente crônica desse preocupante momento que vivemos. Pega esse trecho e dá o play: "Irritado, olho em volta e não encontro nada

Mas pera aí, o que é aquilo na entrada?

Não acredito, uma tomada abençoada

Reconecto como se fosse botar de novo um pino na granada."




Segundo o Nexo Jornal "a nova versão da Classificação Internacional de Doenças foi aprovada em reunião da Organização Mundial da Saúde (OMS) em maio de 2019, na Suíça. O documento atualiza versão anterior, do início dos anos 1990. Essa lista de doenças e problemas de saúde entra em vigor a partir de 2022."

Na categoria Transtorno Mental aparece o vício em vídeo game e na categoria Transtorno em Razão de Comportamento Viciante aparece Jogos de Azar ou Aposta. Quer saber mais, clica aqui no podcast Durma com Essa.

https://soundcloud.com/durma-com-essa/o-burnout-na-lista-de-doencas-da-organizacao-mundial-da-saude-27mai19

No segundo episódio da 5ª temporada de Black Mirror o enredo gira em torno de um motorista de aplicativo que mantém como refém um funcionário de uma grande empresa de mídia social. Ao contrário da maioria episódios, não é apresentada uma tecnologia futurista.

Vale lembrar que Black Mirror não é uma série apenas de ficção científica. É, em grande parte, uma parábola sobre o uso excessivo de mídias sociais, e como elas afastam a sociedade do mundo real.

Obrigado. De nada. E até a próxima!


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Quando a vida te der limões...